Hoje apetece-me…

…um pôr do sol em Sagres, sentado na açoteia com a brisa do Cabo S. Vicente a bater-me no rosto…ao som de Bajofondo – Zitarrosa, e um mojito gelado. Não sei quanto a vocês, mas eu já começo a ficar farto deste Inverno cinzentão…só chuva e frio…apetece-me um tango dançado no bafo do estio (como uma vez tão bem escreveu o Carlos Tê). Para dar um cheirinho a Verão hoje vou falar-vos de ceviche, que é uma das maravilhas da comida sul-americana. Na Bolívia e no Peru é comum cozinhar carne e peixe sem recurso à confecção no fogo, para esse efeito utiliza-se o sumo de citrinos para marinar os ingredientes. Esse sumo literalmente coze os tecidos da carne ou do peixe, dando-lhe uma textura mais rija e agradável .
Hoje vamos fazer ceviche com robalo,uma receita que apanhei numa revista do Jamie Oliver há uns tempos, e fiz uma adaptação. Sendo que se pode utilizar praticamente qualquer tipo de peixe para fazer este prato, mas acho que o robalo tem aquele “sabor a mar” que nos transporta para os calores do Verão.
Vamos precisar de:

– Filetes de robalo ( na peixaria peçam um robalo pequeno e peçam para fazer em filetes);

– 1 toranja;

– 1 lima;

– Sal;

– Pimenta;

– Aneto;

– Malaguetas frescas;

– Alho;

-Azeite;

Começamos por cortar os filetes em tiras como se de um strogonoff se tratasse, depois temperamos com sal, sumo de 1 lima e sumo de metade da toranja. Picamos 1 ou 2 dentes de alho, um pouco de pimenta e misturamos tudo com peixe, espalhamos o aneto por cima e picamos 1 ou 2 malaguetas para dar um pouco de cor. Finalmente cortamos a outra metade da toranja aos bocados, juntamos um fio de azeite e misturamos tudo com as mãos! Não tenham problemas em mexer na comida com as mãos, verão que é uma sensação profundamente libertadora 🙂 Levem ao frio durante 2 horas e sirvam assim mesmo ou com umas tostas, acompanhem com um mojito a estalar de gelo! Deixo-vos com a música indicada….divirtam-se!

A minha opinião sobre pratos rápidos…

A pedido de várias famílias hoje vou debruçar-me sobre o conceito de pratos rápidos… sim porque já fui bombardeado com reclamações em relação ao prato de ontem, por ser muito complexo. Anda aqui um “home” cheio de boas intenções e vocês nunca estão felizes!

Mas como eu gosto muito de vocês, vou por aqui algumas ideias giras para fazer refeições rápidas e super saborosas. Na verdade estou a brincar, gosto imenso de pratos rápidos porque com um pouco de imaginação podemos confeccionar coisas interessantíssimas, recorrendo apenas ao que temos na dispensa e no frigorífico. Ora vamos lá ver do que há em casa…
… uma das coisas que invariavelmente temos sempre em casa é o pão, o alimento base da nossa dieta e com este ingrediente podemos fazer quase tudo. Muitos de vocês já ouviram falar ou tiveram oportunidade de comer “bruschetta”, trata-se de um petisco italiano que não é mais do que pão torrado com uma infinidade de ingredientes que lhe podemos adicionar. Ora ontem lembrei-me de uma ideia gira para fazer uma “bruschetta”, numa conversa com uma amiga ela perguntava-me o que podia fazer com uns chillies, vulgo, malaguetas que tinha no frigorífico…pois bem toca a atacar o frigorífico e os armários e vamos tirar de lá:

– Chillies grandes;
– Pão (de preferência saloio ou alentejano);
– Alho;
– Oregãos ou ervas de provence;
– Queijo Mozzarella ralado;
– Atum enlatado;

Vamos pegar no pão e cortá-lo em fatias pequenas, depois colocamos num tabuleiro e levamos ao forno a tostar (se tiverem forno eléctrico usem o grill , é mais rápido e fica tostado de uma forma mais homógenea).
Assim que o pão estiver tostado, vamos descascar um dente de alho e com o pão ainda quente, vamos esfregá-lo, o que nós queremos é que o alho se desfaça e fique bem espalhado na superfície da tosta. De seguida vamos tratar dos chillies, atenção aqui, alguns de vocês sei que são corajosos e adoram picante… mas acho que ganhamos mais em sabor se eliminarmos as sementes dos chillies. Por isso o que vamos fazer é abrir um corte ao comprido nos chillies, abri-los e extrair as sementes com a ponta da faca. O picante está concentrado na sua maioria nas sementes, e se tivermos picante em excesso perdemos o paladar do prato.
Terminada esta operação delicada 🙂 Vamos desfazer o atum com um garfo e espalhá-lo na superfície da tosta, por cima do atum coloca-mos os chillies cortados em bocados grosseiros e o queijo ralado. Antes de por no forno a gratinar pomos uns oregãos ou umas ervas de provence por cima do queijo, e vigiamos o forno até o queijo gratinar por completo.
Sirvam de imediato (cuidado com as bocas escaldadiças!) e acompanhem com um branco leve, creio que um Companhia das Lezírias – Fernão Pires, fará a combinação perfeita. Uma garrafa anda na casa dos 3.50 euros, um preço cordato para um vinho equilibrado, com uma boa acidez fixa que é o que queremos para contrastar com a gordura do queijo e do atum. Para terminar em beleza sugiro como banda sonora um pouco de Nina Simone… Sinnerman.
Divirtam-se e bom apetite!

Pato em Redução de Vinho Branco e Xarope de Ácer

Para as primeiras impressões decidi publicar uma receita que adaptei de um prato do chef canadiano Tony De Luca. Em vez de utilizar codornizes na confecção optei pelos peitos de pato que além de serem mais práticos de comer, têm uma textura super aveludada.

Para começar vamos tratar da lista de compras, para confeccionar este prato precisamos de :
– 1 Pato;
– Cebolas;
– Alhos;
– Aipo;
– Cenouras;
– Louro;
– Salsa;
– Pimenta em grão;
– Cravinho;
– Sal;
– Xarope de Ácer ( Maple Syrup);
– Vinho Branco;

Ultrapassada a parte da aquisição dos ingredientes vamos começar por desossar o pato. Pegando numa faca afiada vamos retirar a pele e dar um golpe ao longo do esterno da ave. Acompanhando sempre junto ao osso vamos extrair os peitos ( é óbvio que vocês podem comprar os peitos já embalados mas além encarecer substancialmente o prato, vão perceber mais à frente a razão de um pato inteiro).

Após a extracção dos peitos, vamos remover as pernas e desossá-las, os ossos e a carcaça reservam-se para fazer um caldo, que já vou passar a explicar como fazer.
Os caldos são uma base extremamente importante para a confecção de pratos de carne e de peixe, pois neles encontramos todos os sucos tão necessários ao paladar. Assim colocamos a carcaça e restantes ossos num tacho e cobrimos com água, posteriormente adiciona-se : 1 pé de aipo cortado aos bocados; 2 cenouras; 1 cebola; 1 folha de louro; 2 a 3 pés de salsa; 1 colher de chá de pimenta preta em grão; sal a gosto e 1 cravinho. Deixamos a água ferver e mantemos em lume brando durante cerca de hora e meia, momento em que se deixa arrefecer e coa-se o caldo para reservar.
Tendo a base pronta vamos preparar a marinada para a carne: colocamos os peitos e as pernas desossadas num recipiente relativamente fundo e adiciona-se cerca de 1/2 chávena de caldo; 1/2 chávena de vinho branco; 1 colher de sopa de xarope de ácer*; 2 colheres de sopa de azeite; 1 cebola picada; 1 dente de alho picado; sal e pimenta em grão. Deixamos marinar cerca de duas horas, mas se não tiverem muita pressa aconselho a deixar de um dia para o outro no frio.
Terminado este passo colocamos numa frigideira funda um fio de azeite e deixamos aquecer, depois colocamos o pato e deixamos alourar. Quando a carne estiver alourada, baixamos o fogo e adicionamos lentamente o líquido previamente reservado da marinada e deixamos reduzir em lume brando. Quando o líquido tiver uma consistência mais ou menos gelificada retiramos do lume. Serve-se acompanhado de batata assada ou migas de espargos.

Este prato apesar de um pouco moroso na sua confecção é uma óptima companhia para uma mesa de amigos ao som do crepitar da lareira, pelo que deve ser acompanhado de um bom tinto com algum corpo, um Adega de Pegões – Cabernet Sauvignon fará desse encontro com os sentidos algo memorável.

*Xarope de Ácer – deriva da seiva da árvore ácer que é aparentada com o plátano e é utilizada no Norte da América como açúcar ou base para sobremesas.

Diz que é uma espécie de prefácio :P

Após uma breve nota de boas vindas a todos, achei por bem publicar aqui em jeito de prefácio para este blog, um texto da minha querida amiga Eliana Cristóvão que lá conseguiu arranjar um bocadinho para escrever para nós …enjoy!

“A arte de cozinhar não é um dom, mas um gosto. O paladar de apreciar, de brincar com os alimentos.
Para muitos chefs credenciados ou amadores é um arco – irís de vitalidade, no fim encontramos o pote de ouro, na satisfação de quem saboreia…

Podemos descrever o processo como de um quadro a aguarela, uma música ou um perfume se tratasse.
A Cozinha é apurar dos sentidos… o cheiro, o olhar, o tacto, o ouvir, o cheiro… reparem como tudo está interligado. È fácil observar todos os sentidos nesta arte.

E a cada apagar do lume há uma personalidade garantida. Não só de cada mão, mas a aventura dos alimentos está também em cada história, numa cultura de um povo!

E a terapia que pode advir do prazer de realizar algo, a descontração, o relaxamento de juntar aquilo e mais aquilo, a diversão do agri-doce!”

….Não sei que título ponha no 1º post….


Antes de mais gostaria de vos dar as boas vindas a este espaço onde poderão tirar ideias para receitas e sugestões de vinhos com os quais as poderão harmonizar. O espaço é livre e aberto à discussão. Puxem de uma cadeira, sirvam-se de um copo de vinho e desfrutem.

Não me quero alongar muito nesta nota de boas vindas, apenas quero deixar-vos transparecer que a cozinha é muito mais do que algo que se faz por obrigação, quando chegamos cansados do trabalho. É um exercício de criação e vontade, é um veículo que transmite o nosso feeling no momento da confeccção. Mito ou não …eu acredito que é possível por o que sentimos no que cozinhamos. Por isso façam o favor de por o vosso sorriso mais rasgado e comecem a cozinhar!