A minha opinião sobre Francesinhas

Pediram-me para escrever sobre francesinhas, é um assunto delicado digo… os meus amigos portuenses vão-me cair em cima, mas não resisto a fazer a minha interpretação deste ícone da gastronomia do Norte. A francesinha é um prato trazido até nós por um emigrante português em França, durante a década de 60. É de facto uma interpretação de uma receita francesa denominada “croque – monsieur”, que não é mais que um género de uma tosta mista feita com brioche. Satisfeita a curiosidade a respeito das origens deste prato vou começar por explanar a minha interpretação… vamos procurar os seguintes ingredientes:

– 1 Bife da vazia ( escolham uma carne tenra e pouco fibrosa, não ponham 1 bife demasiado espesso… no máximo 2.5 cm);

– Fiambre ( aqui é que eu ponho reservas… na grande maioria dos casos a qualidade dos fiambres deprime-me, têm mau sabor e uma textura detestável… por isso e para quem consiga encontrar, recomendo o fiambre tipo Praga, que é uma perna inteira cozida ao vapor em ervas e especiarias – encontra-se no Corte Inglés… mas como só há Corte Inglés em Lisboa e no Porto…. podem encontrar um outro tipo de fiambre também de excelente qualidade no Pingo Doce, na charcutaria peçam fiambre italiano sem fosfatos… lamento mas não me consigo lembrar da marca… acho que é Ferrini mas não tenho a certeza…de qualquer modo é excelente!);

– Queijo Parmesão ( comprem uma cunha … é muito melhor porque se rala no momento e perde menos propriedades!);

– Queijo Mozarella fatiado;

– Chouriço ( procurem os enchidos de Montoito… são óptimos! Há no Feira Nova e no Pingo Doce.);

– Espargos verdes (comprem frescos! );

– Pão alentejano;


Para o molho (segundo os connaisseurs de francesinhas o segredo está no molho) :


–  Polpa de tomate ( eu faço com tomate fresco e muito maduro… mas se não estiverem para se chatear entendo perfeitamente);

– Cebola;

– Caldo de carne ( aqui vou recomendar-vos o recurso a um poderoso potenciador de molhos , chamado demi glacé, que não é mais que um caldo de carne muito concentrado… não vou maçar-vos com a receita para o fazer… podem comprá-lo em grandes superfícies… e depois para a próxima deixo-vos a receita 😛 );

– Aipo;

– Cenoura;

– Alho;

– Azeite;

– Cerveja;

– 1 shot de brandy ou aguardente velha;

– sal e piri piri a gosto;

Vamos começar pelo molho,  piquem 1 cebola grande; 3 dentes de alho; 2 talos de aipo e 1 cenoura grande, coloquem num tacho com azeite e refoguem. De seguida adicionem  a polpa de tomate e deixem uns minutos até desfazer o tomate e ficar mais líquido. Juntem duas cervejas; o brandy; 2 colheres de sopa de demi-glacé, o sal e o piri piri… deixem reduzir em lume brando. Provem o molho e rectifiquem os temperos, se acharem necessário. Tirem do lume e triturem de modo a obter um molho homogéneo e a puxar para o cremoso.

De seguida vamos grelhar o bife, marquem-no ligeiramente na chapa… o suficiente para ainda deixar bastantes sucos ( lembrem-se que depois a francesinha ainda vai ao forno!);cortamos o chouriço em rodelas finas; salteamos os espargos com um pouco de azeite e alho e torramos o pão alentejano.
Colocamos num prato fundo de grês ou num pirex, uma das fatias do pão, onde colocamos duas fatias de mozzarella; de seguida pomos fiambre; espargos;bife; mais espargos e chouriço; cobrimos com um pouco de parmesão ralado e com outra fatia de pão. Juntem mais duas fatias de mozarella por cima e levem ao forno para derreter ( eu gosto de deixar o queijo ficar meio crestado…). Tirem do forno e juntem molho por cima.
Sirvam acompanhada de uma cerveja ruiva … a irlandesa Kilkenny é a indicada! Deixo-vos com este Free Falling … uma versão do clássico de Tom Pety, interpretada pelo brilhante John Mayer… muito boa onda para acabar o fim de semana em grande!

Divirtam-se e bons cozinhados!

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Acidentes de percurso :)

Às vezes as melhores coisas resultam de situações fortuitas… encontros inesperados entre desconhecidos…aquela música que ouvimos no rádio, mas que não sabemos o nome e se torna a nossa favorita…
Assim também é a cozinha, feita de sucessos e acidentes de percurso… mas nem sempre esses acidentes são maus, pois às vezes resultam em novas ideias e coisas deliciosas. É o caso da sugestão que vos vou fazer hoje, uma Mousse de Chocolate com Piri Piri, que resultou de uma receita de gelado que não foi bem sucedida. Para poder enquadrar bem esta sugestão, tenho de vos situar no que faço profissionalmente… depois de um período de indefinição na minha vida, optei por abraçar o grande amor da minha vida – a Cozinha. E como tal decidi-me a procurar os ensinamentos de alguém que admiro muito o chef Augusto Gemelli, ao qual escrevi no sentido de me aceitar como seu aprendiz… e acabei por estar a trabalhar na sua cozinha.
Numa ocasião ao tentar fazer um gelado de chocolate negro com biscoitos cantucci (já explico mais à frente ok? take a chill pill!!! 😛 ), obteve-se algo semelhante a um creme de chocolate ou mousse… ora decidiu-se “kitar” o dito gelado, e para isso vamos fazer o seguinte:


– 600 ml de leite;

– 240 ml de natas;

– 175 g de açúcar;

– 2 colheres de sopa de maizena;

– 1 colher de sopa de manteiga;

– 200 g de chocolate negro;

– 4 gemas de ovo;

– 100 ml de vinho do Porto;

– 4 malaguetas;

– 170 g de biscoitos cantucci ( passo a explicar … são um tipo de uma bolacha italiana de amêndoa e outros frutos secos, no caso de não encontrarem à venda usem bolacha de amêndoa normal);


Para começar vamos fazer a base da mousse, e para isso pegamos no leite e misturamos muito bem com as gemas, o açúcar e a maizena. Juntamos a manteiga e pomos a lume ( lume brando!), e vamos mexendo até engrossar, deixamos ao lado a arrefecer. De seguida vamos bater as natas e derreter o chocolate, misturem com o preparado que deixaram a arrefecer; com as bolachas feitas em pó, as malaguetas trituradas e o vinho do porto. Passem na batedeira para homogeneizar a mistura e refrigerem durante umas horas.Tenho a agradecer este acidente ao Natanael e ao Nuno os meus companheiros de cozinha, um que fez o dito gelado e outro que teve a ideia de o reciclar, obrigado pessoal! Acompanhem com um Porto Poças – Vintage 1997 um dos grandes vintages do século XX. E deliciem-se com este Lullaby dos Cure… creio ser o som adequado ao erotismo desta sugestão….


Semana longa…

Vocês já devem andar a jurar-me pela pele… “Como é? Então este gajo não posta coisas novas?”. Pois têm razão, mas tem sido impossível ter um tempo para vir aqui actualizar o blog. A minha vida profissional tem-me tomado muito tempo e ainda bem 🙂 De qualquer modo quero compensar-vos e para isso vou sugerir-vos uma coisinha rápida e muito saborosa … apesar de não apreciar queijos … é um sucesso naquelas festas em que temos de levar comida para casa dos amigos! A minha sugestão de hoje é um Bolo de queijo de cabra atabafado  e pêra, para isso vamos precisar de :

 2  pêras pequenas;

– 150 g de queijo de cabra atabafado ( é um tipo de queijo fresco, podem comprar os queijinhos de Palhais que são isso mesmo);

– 3 ovos;

– 170 g de farinha para bolos com fermento;

– 50 g de farinha maizena;

– 100 ml de leite;

– 1 colher de sopa de aguardente ( usem um brandy ou uma aguardente velha);

– 100 ml de óleo vegetal;

– Sal e pimenta;

Comecem por pré-aquecer o forno a 180º e untar uma forma rectangular (daquelas do tipo bolo inglês) com óleo e forrem com papel vegetal, deixem ao lado.
Descasquem as pêras e cortem aos cubos pequenos…reservem. Virem a vossa atenção para os queijos e esmaguem-nos com a ajuda de um garfo, reservem. Batam os ovos com a farinha de maneira a obter uma mistura homógenea, e depois juntem a outra tralha toda…a maizena; o óleo; o leite; a aguardente; o sal e a pimenta ( atenção ao sal… lembrem-se que estes queijos têm algum sal por isso provem a massa antes). Coloquem a massa na forma e levem ao forno durante 45 minutos a 180º.
Nota importante! Deixem amornar antes de desenformar! Acompanhem com uma salada de rúcula e pêra assada com redução de vinagre balsâmico ( podem encontrar nas grandes superfícies com o nome de glaze… o preço ronda os 4 euros mas dura imenso tempo e fica óptimo em saladas e sobre carnes assadas).
E para acabar o fim de semana em grande abram uma garrafa de espumante Quinta do Cabriz – Bruto 2007… e reflictam sobre este apropriado “As Time Goes By…” interpretado pelo genial Roby Lakatos.




Divirtam-se e bons cozinhados!

Para adoçar a boca…

Parece que o sol finalmente se dignou a ficar 🙂 Já começava a entrar em depressão com tanta chuva…a diferença que faz um bocado de luz na nossa disposição… sinto-me particularmente espirituoso hoje 😛
E sinceramente não me apetece muito dissertar sobre a vida… não vos quero maçar com os meus devaneios, por isso hoje não vou falar de comida. Hoje e a bem da joie de vivre falamos de álcool… esse vagabundo incompreendido, para uns destruidor de vidas e para outros fonte de inspiração artística e desinibidor social ! Aqui há tempos falava num dos meus prolíficos posts de mojitos, ora para quem não sabe os mojitos são uma bebida cubana, que tem por base o rum, o sumo de lima e a hortelã. É uma bebida fresca e leve, que é o ideal para desfrutar deste magnífico fim de tarde! Vamos pegar em:

– Rum (eu prefiro rum velho/añejo de 7 anos);
– Lima;
– Hortelã fresca;
– Açúcar amarelo;
– Gasosa ( 7-up ou similar);
– Gelo picado;

A receita original do mojito é feita com soda, mas a título pessoal digo-vos que com gasosa fica bem mais agradável e foi assim que aprendi a fazê-los, num verão passado a trabalhar num bar de praia da Isla Canela … boas recordações… o dia todo a ver o mar… beber uns copos e ainda tocar umas modinhas com a banda residente.
Vamos procurar um copo largo, tipo on the rocks e vamos cortar lima e meia às rodelas finas( eu sei que há muitos que as cortam aos quartos, mas assim tiramos o máximo de sumo e sabor!), de seguida esgaçamos umas folhas de hortelã (abusem!), e umas duas colheres de sopa de açúcar amarelo; atirem tudo para dentro do copo e com um pilão de madeira pisem tudo muito bem ( e façam o favor de não partir o copo enquanto fazem isso!).
Depois cubram com rum, mais ou menos dois dedos (depende do vosso gosto), adicionem o gelo picado e atestem o resto com gasosa. Mexam com uma palhinha…sentem-se na varanda e curtam este por do sol!
Acompanhem o mood com este ritmo cubano do imortal Miguel Matamoros … brilhantemente interpretado pelos canários Los Sabandeños , deixo-vos com este fantástico Lagrimas Negras…




Divirtam-se !!!!



Churrasco de Carnes

É curioso a forma como certos cheiros e sabores, ficam gravados na nossa matriz … como nos transportam para situações passadas e nos lembram pessoas marcantes nas nossas vidas.
Aquele cheiro dos figos maduros…hum… subíamos às figueiras  para os apanhar às escondidas do meu tio-avô e  acabávamos a fugir das vespas que andavam atrás do mel dos figos 😛
Esse cheiro que me leva de volta aos almoços de Verão debaixo daquela figueira gigantesca, que viu nascer duas gerações da minha família e nos abraçava com a sua sombra monstruosa, mitigando o sol do meio-dia.

As memórias desses momentos são o que molda o nosso ser, fazem de nós mais que meros expectadores da vida que passa à nossa frente. Por isso vou dar-vos uma sugestão, aproveitem este raro sol e saiam, peguem nas vossas famílias; nos vossos amigos; nas(os) namoradas(os) ou amantes…. partilhem-no debaixo dessa figueira ( eu acredito que todos temos uma árvore assim… uma figueira, um carvalho ou uma azinheira…).
Como sempre o melhor é mesmo partilhar tudo isto à mesa, vamos buscar  umas carnes e pô-las numa braseira… só aquele perfume da madeira a queimar e depois o da carne a cozinhar … hum …
O que vamos fazer é reunir uma selecção de algumas carnes:

– Costeletas de porco da zona do cachaço ( tenham o cuidado de escolher carnes com algum índice de gordura, para que não fiquem secas, e não deixem de comprar carne certificada é um pouco mais cara, mas faz toda a diferença!);

– Frango;

– Costeletas de novilho ( mais uma vez … não tenham medo da gordura! A carne de pasto que não tem hormonas tem um índice de gordura saudável e que facilmente se escoa no churrasco, dando um sabor mais intenso e agradável à carne… façam a comparação  com uma carne corriqueira e não certificada e tirem as vossas conclusões!);

– Coelho;

Para estas carnes vamos precisar de :

– Sal ( usem sal marinho de boa qualidade);

– Malagueta (seca e moída);

– Estragão (ver Prateleira de Especiarias…);

– Alecrim fresco;

– Azeite;

– Alho;

– Mel;

– Cerveja preta;

O que vamos fazer primeiro é cortar o frango e o coelho em quartos ( se tiverem miudezas reservem), de seguida vamos preparar uma marinada, juntando numa tigela : 4 colheres de sopa de azeite; 1 colher de chá de malagueta moída; 1 colher de sopa de mel; umas folhas de estragão (desfaçam com as mãos); sal a gosto; 1 dente de alho picado e cerveja preta… misturem tudo muito bem de modo a obter uma mistura homogénea.
O próximo passo é colocar o coelho e o frango num tabuleiro onde os vamos pincelar com esta marinada …deixem a marinar durante 1 hora no frio. O frango e o coelho vão ficar super macios e com um paladar fantástico! Na hora de por tudo na grelha ( guardem as miudezas para o fim, ficam prontas em 5 minutos…pincelem com uma pouco de marinada e ponham na grelha… é fantástico.) , vamos temperar as costeletas de porco e novilho  com sal grosso –  nestas carnes é importante que o sal seja só posto no momento da confecção para que não salguem – deixo-vos a ressalva de que só no porco é que vamos por alecrim fresco, isto porque é uma carne que aguenta muito bem o forte aroma desta erva, que, com a confecção vai perfumar a carne. No caso do novilho vamos só deixar com o sal – se forem carnívoros como eu, entenderão que numa carne de bovino de boa qualidade o melhor tempero é a própria carne! – ponham as carnes numa grelha alta em relação às brasas, isto porque caso contrário vão ficar queimadas pelo lado de fora e pouco suculentas… não tenham pressa… deixem cozinhar lentamente. Os argentinos que são mestres do churrasco têm um ditado : ” As pessoas esperam pelo churrasco e não o contrário”. Em relação à maioria das carnes deixem passar … no que diz respeito ao novilho… eu deixaria a carne a ponto… com um toque rosado no seu interior.
Acompanhem com cebolinhas grelhadas na brasa e uma salada leve… o protagonista é a carne 🙂
Brindem a este sol  com um bom tinto ribatejano… um Guarda-Rios de Vale d´Algares, um vinho com complexidade e carregado dos perfumes da lezíria, uma companhia perfeita para brindar à vida!
Deixo-vos com este fado do Camané…

Divirtam-se e aproveitem este sol!

Mau tempo….bah…

Isto já começa a enjoar, chuva a toda hora… cheias…vento… não se pode ir a lado nenhum levar as galochas ou quem sabe um barco 😛
Mas nem tudo é mau com chuva, um dos meus ingredientes favoritos na cozinha aparece depois das chuvas, e é giríssimo de vê-los a brotar nas terras em pousio ou nos pinhais e bosques de carvalhos. Estou a falar dos cogumelos, que são um alimento fantástico e envolvido num denso misticismo, já os druidas os utilizavam como parte integrante dos seus ritos religiosos. É um alimento venerado e ao mesmo tempo temido, isto porque, existe só uma pequena percentagem de cogumelos comestíveis, e a maioria restante é tóxica ou mesmo venenosa mortal. Algumas figuras da História  terão sido assassinadas com recurso ao veneno dos cogumelos, segundo alguns registos pensa-se que Carlos Magno terá sido assassinado com recurso ao veneno de um cogumelo chamado Amanita Phalloides , que pertence a família dos Amanita  muito conhecida pelo Amanita Muscaria ao qual eram atribuídas propriedades místicas, isto por ter alguns elementos alucinógeneos.
Mas hoje não vamos fazer poções, nem quero assustar-vos dando-vos uma ideia que os cogumelos são perigosos. Existem cogumelos comestíveis e outros que são tóxicos, estamos a salvo dos tóxicos porque a maioria dos cogumelos que consumimos são comprados nos mercados ou nas grandes superfícies. É claro que não há que se compare a uma manhã passada no bosque, para colher estas maravilhas da Natureza. Mas não recomendo que o façam! A menos que conheçam muito bem as espécies comestíveis ou que se façam acompanhar de um especialista em micologia… não colham cogumelos no campo! É extremamente perigoso.
Após esta advertência ( eu sou um chato eu sei …mas é para vosso bem !), vamos falar das propriedades fantásticas do cogumelo na gastronomia, e para isso vou sugerir-vos algo que adaptei de um prato que vi o José Avillez fazer, uns cogumelos Portobello recheados com os seus pés e queijo Brie gratinado. Ora como eu não sou um grande fã da maioria dos queijos, pus-me a magicar como poderia fazer aquele prato. Assim sendo vamos tratar de procurar os seguintes ingredientes:

– 1 embalagem de cogumelos Portobello ( encontram-se em quase todas as grandes superfícies, procurem sempre os mais frescos, os que tiverem uma aparência pouco firme … deixem no escaparate);

– Farinheira;

– Requeijão;

– Alecrim fresco;

– Pimenta preta;

– Azeite;

Eu sei que isto pode parecer uma grande falta de higiene, mas por norma não se lavam os cogumelos, isto porque vamos aumentar o índice de humidade dele e fazer com que encolham mais, sem falar de que lhes estamos a tirar propriedades. O que se faz por norma é usar um pincel e com algum cuidado remover alguma terra que possam ter ( na maioria dos casos não é preciso porque os cogumelos vêm de estufas com rigorosas condições de higiene). Vamos começar então por extrair os pés dos cogumelos, cortamos a ponta exterior do pé ( que é natural que tenha uma aparência oxidada), e picamo-los (os pés dos cogumelos). De seguida colocamos os pés numa frigideira previamente aquecida com um fio de azeite, temperamos com um pouco de pimenta e deixamos saltear por uns breves minutos. Posteriormente cortamos um pouco de farinheira, removemos a pele, e adicionamos aos pés dos cogumelos o suficiente para ligar tudo. Deixamos em lume brando o tempo suficiente para a farinheira “derreter” e envolver os pés dos cogumelos… reservamos. Agora vamos pegar nos “chapéus” dos cogumelos e vamos grelhá-los numa chapa, não muito tempo … só o suficiente para lhes dar um tom mais acastanhado. De seguida pegamos numa colher e recheamos os cogumelos com o preparado que fizemos, e por cima disso colocamos requeijão e algumas folhas de alecrim fresco, rectifica-se com pimenta e leva-se ao forno. Vigiem o forno, e só retirem os cogumelos quando o requeijão ficar ligeiramente crestado. Sirvam de imediato… como entrada ou prato principal.  Acompanhem com um tinto à altura… um Altas Quintas Colheita 2006 , carregado dos aromas pungentes da Serra de S. Mamede e da mestria do enólogo Paulo Laureano. Podem encontrar este vinho em garrafeiras e grandes superfícies, o seu preço anda na casa dos 20 euros.




Divirtam-se e bons cozinhados!!!

Prazeres simples …

Pergunto-me muitas vezes sobre o sentido que as nossas vidas tomam a determinado ponto… quando começamos a definir prioridades e objectivos. O que é realmente importante? Ser criança…crescer…estudar… procurar trabalho… trabalhar… trabalhar…trabalhar…
Há pouco tempo lia um artigo muito interessante de um jornalista, do qual infelizmente não recordo do nome(este slot de memória está muito danificado), artigo que em traços gerais falava de como criamos os nossos filhos hoje em dia ( não tenho filhos…pelo menos que saiba), os miúdos são imbuídos num espírito de competição anormal, exigindo-se cada vez mais deles… começamos com a escola; depois com o estudo e trabalhos de casa; depois as actividades extra-curriculares que é onde começa o rol : ATL; aulas de apoio ao estudo; ballet; natação… isto são alguns exemplos daquilo a que se sujeitam os miúdos hoje em dia. A pergunta que esse jornalista fazia era: ” Qual é o tempo que lhes sobra para serem crianças?”. Lembro-me quando era miúdo, ia para escola e quando voltava para casa fazia os trabalhos de casa (quase nunca… a minha mãe recebia sempre recados da professora…) e corria para a rua para ir brincar com os outros miúdos, é um facto que eu e outros da minha geração fomos privilegiados na infância que tivemos. Passei a minha infância num ambiente rural, onde as brincadeiras eram fazer casas em árvores e correr atrás das galinhas para lhes arrancar umas penas do rabo ( que índios 😛 ). Facto é que os miúdos hoje em dia não têm  nada disso, e são cada vez mais amorfos… um espelho da nossa sociedade?  Nós os adultos somos como estes miúdos, passamos a nossa vida nesta busca incessante de sucesso e reconhecimento … e depois esquecemo-nos de  nós próprios, só vivemos para o relógio que é o grande ditador das nossas vidas. Pouco tempo sobra para comer em condições durante o dia… o pequeno-almoço no carro e a caminho do trabalho…uma sandes de fugida na hora de almoço…o jantar uma coisa rápida ou nada porque não há pachorra para cozinhar. Passamos muito tempo sem ter tempo para nos sentarmos e ter uma refeição digna desse nome… triste não?
Hoje dou-vos uma dica para apreciarmos o simples prazer de nos sentarmos…comer… beber… e ouvir uma boa  música… façam o favor de ter à mão:

– Pimentos padrón;

– Alho;

– Azeite;

– Sal;

– Lombos de porco fatiados;

– Limão;

– Alecrim fresco ( encontram em qualquer grande superfície);

– Mostarda;

Vamos começar pelo denominador picante … agarramos nuns quantos pimentos padrón ( se gostarem tanto como eu 1 kg :P), e colocamo-los numa frigideira com um fio de azeite e uns dentes de alho esmagados ( não precisam de os descascar). Deixamos fritar os pimentos até ficarem mais ou menos crestados, um pouco de sal, apagamos o lume e deixamos à parte.
Passamos ao outro denominador os lombos de porco ( eu faço isto com lombos, mas também resulta lindamente com bifanas e com costeletas) , temperamos com sal; raspa de limão e umas quantas folhas de alecrim fresco, depois ponham na frigideira com um pouco de azeite e deixem alourar… antes de estarem completamente cozinhadas adicionem uma colher de chá de mostarda e sumo de limão, deixem secar ligeiramente e sirvam de seguida com os pimentos.
O gozo que me dá nisto são os pimentos … são uma lotaria … um pode sair picante e outro nem por isso 🙂

Divirtam-se e esqueçam o relógio 🙂

Manual de sobrevivência volume II – A revolta do frigorífico

O meu frigorífico não gosta de mim, cada vez que abro a porta tenho menos coisas lá dentro…porque é que os frigoríficos não têm auto-renovação do stock de mantimentos? Nota mental – Vai às compras anormal!
Devia começar a pensar em fazer o jantar, mas não tenho muito por onde começar. Vejamos…..
umas laranjas; 1 alho francês;azeitonas;1 farinheira… hum … deixa ver se há alguma coisa no congelador…hum…perfeito! Já tenho a solução com 1 saco de carne picada que tinha no congelador, perguntarão vocês o que é que estes elementos têm a ver uns com outros? Passo a explicar:
Vamos pegar em :

– 4 laranjas;

– Umas quantas azeitonas pretas;

– 1 alho francês pequeno;

– Salsa;

– Azeite;

– Sal;

– Pimenta preta;

-Vinagre balsâmico;

Descascamos as laranjas, cortamo-las em rodelas e depois em metades. Colocamos numa saladeira onde vamos juntar: as azeitonas cortadas aos bocados; o alho francês finamente cortado em rodelas; salsa picada; sal a gosto; um pouco de pimenta acabada de moer; azeite e vinagre. Agora usem as mãozinhas e misturem isso tudo…e o que temos é uma salada de laranja, que é uma das grandes especialidades na Sícilia para comer como entrada ou acompanhamento de um prato com alguma gordura.
Já temos uma salada… mas assim não me governo… preciso de mais substância, por isso vamos pegar nos outros “artefactos” que encontrámos no frigorífico:

– 1 kg de carne picada ( quando forem ao talho comprem uma peça de carne de vaca e outra de porco, e então peçam para picar… a carne picada já embalada, não sabemos bem com que foi feita pode levar todo o tipo de aparas “manhosas” por isso mandem picar na hora);

– 1 farinheira;

– 1 base de sopa de cebola ( podem usar aquelas da knorr ou da maggi… não se assustem já vãoperceber para que é a base da sopa );

-1 cerveja preta;

Este prato comi pela primeira vez em casa de um amigo das minhas andanças pelas Tunas, de vez em quando juntamos um grupo de amigos dessa altura e fazemos um fim de semana em tertúlia, com boa comida; bons vinhos e boa música, intitulamo-nos o Grupo do Jantares de Sexta-Feira 😛
Mas voltando ao prato, vou chamar-lhe Rolo de Carne Mygas em homenagem ao meu amigo que me ensinou a fazer um rolo de carne rápido e sem sujar as mãos!
Vamos pegar na carne picada e colocar num saco de plástico transparente, lá dentro deitamos a base da sopa de cebola, que vai dar o condimento e sal necessário à carne. Fechamos o saco e amassamos tudo muito bem por cima do plástico, de maneira a que a base da sopa fique completamente misturada com a carne picada. De seguida abrimos o saco, e com algum cuidado vamos usar um rolo da massa de forma a que a carne tome uma aparência quadrangular… isto tudo sem retirá-la do saco… é muito importante conservá-lo e já entenderão a razão.
Pegamos numa tesoura e cortamos o saco pela boca de cada um dos lados, de forma a obtermos uma “aba”, abrimos essa “aba” e no centro da carne picada colocamos a farinheira esfarelada.  E agora vamos enrolar … usando a parte exterior do saco enrolamos a carne picada com alguma prudência para que não se desfaça. E depois é só colocar dentro de um tabuleiro ou pirex e deitar-lhe uma cerveja preta por cima ( desculpa Mygas mas cerveja preta combina melhor 😛 ). Levamos ao forno 45 minutos e obtemos um rolo de carne simples e sem sujar as mãos 🙂
Acompanhem com arroz… ou com a salada de laranja, que contrasta bem com a gordura.
Para completar  sugiro-vos  um Adega de Pegões – Touriga Nacional, um exemplo do talento do enólogo Jaime Quendera, e uma excelente companhia para este jantar desenhado para  4 pessoas, poderão encontrar este vinho facilmente em grandes superfícies a um preço acessível … entre os 5 e os 6 euros.
Hoje despeço-me com o Michael Bublé  e este Come Fly With Me, para ver se espantamos este tempo de cão!

Divirtam-se e bons cozinhados!

Coisas para ter no frigorífico – Salmão Curado

Uma das melhores formas de conhecer a cultura de um povo é através daquilo que comem. Sempre que viajo, a primeira coisa que faço quando chego a um país novo é perguntar : ” E o que é que se come por aqui?”, já comi coisas bem horríveis para vos ser sincero, mas na maioria dos casos tenho tido óptimas surpresas. Lembro-me em Outubro de 2005 durante uma estadia em Estocolmo, tive oportunidade de provar algumas especialidades suecas e graças à hospitalidade e atenção do meu irmão “postiço” Marc  foi memorável. Os povos nórdicos são sobejamente conhecidos pela sua arte a fazer fumados tanto de carne como de peixe, mas o que eu não sabia é que eles também curavam peixe a frio, sem recurso ao uso de fumeiro.  Por isso não se preocupem, não vamos fazer uma fogueira na vossa cozinha. Vamos precisar sim de :


– 1 filete de salmão entre 800g e 1kg ( peçam na peixaria, muitas vezes as pessoas que lá estão fazem cara feia, mas é para isso que lá estão);

– Sal grosso;

– Açúcar amarelo;

– Pimenta preta;

– Aneto;

Vamos começar por  limpar o filete de espinhas que tenham ficado para trás e vamos retirar a pele – Se forem doidos como eu compram um peixe inteiro, que rende muito mais e dá mais gozo a fazer, por isso se acharem que estão à altura, afiem as facas e ataquem-no!

Continuando esta aventura nórdica… vamos misturar numa tigela: 4 colheres de sopa de sal; 1 colher de sopa de açúcar amarelo; um pouco de pimenta preta moída e 2 colheres de sopa de aneto.  De seguida vamos espalhar a mistura no salmão de um lado e de outro e envolvemos o filete em gaze, depois embrulhamos em papel de alumínio e colocamos num tabuleiro ou num pirex. Por cima do salmão colocamos algum peso distribuído pelo comprimento do filete ( podem usar pacotes de leite ou latas de conserva mais pesadas, para não as sujar ponham um pouco de película aderente para separar as superfícies). Deixem no frio durante 72 horas e não se esqueçam de escorrer o líquido que se acumula no recipiente todos os dias.
Depois de pronto este salmão aguenta-se vários dias no frio, mas se quiserem que renda mais podem cortar o filete ( se for grande) em doses e congelar. Come-se cortado fino, com tostas; em sandes; saladas ou pastas.
Espero que se divirtam a fazer este salmão.Deixo-vos com o estado de espírito de hoje…

Manual de sobrevivência volume I :P

Por inúmeras ocasiões tenho amigos que me falam do drama diário de não saberem o que fazer para as refeições, isso, pelos mais diversos motivos:  “Tenho pouca coisa no frigorífico…”; ” Tou de rastos… tive um dia de cão!” ou mais comum: “Não tenho pachorra!”. Eu entendo todas estas posições … é de facto difícil, para não dizer desumano em alguns casos cozinhar por obrigação. Mas não tem de ser doloroso, há formas de contornar o bloqueio da obrigação de cozinhar, para isso iniciamos o ciclo de posts “Manual de Sobrevivência”, que em traços gerais poderá ajudar-vos a não ver a cozinha como uma câmara de tortura da Idade Média.

Podemos começar por alguns elementos que devemos ter em casa  para desenrascar:

–  Ovos;
– Salmão ou truta fumada ( vem embalado em vácuo e dá para manter no frio durante muito tempo);
– Mistura de salada ( rúcola, alface-frisada, acelgas, canónigos – encontra-se em qualquer grande superfície e aguenta-se alguns dias no frio);
– Cebola frita ( Vende-se no IKEA em embalagens e é óptima para fazer guarnições, sandes e omeletes);
– Aneto;
– Pimenta-preta;
– Sal;
– Vinagre balsâmico;
– Azeite

E que fazemos com esta tralha toda? Pegamos na mistura de salada e colocamos numa tigela funda, depois temperamos com um fio de azeite e um pouco de vinagre balsâmico. Depois cortamos o salmão ou a truta* em pequenos bocados, espalhamos por cima e deixamos de parte. De seguida batemos 4 ovos e adicionamos a cebola frita, o aneto, um pouco de pimenta e sal. Pegamos numa frigideira, pomos um fio de azeite e deixamos aquecer, colocamos os ovos na frigideira e deixamos cozinhar – não sei qual é o vosso gosto… mas eu odeio comer ovos mexidos demasiado secos, isso acontece por estarem muito tempo ao lume e ficam com uma consistência tipo esferovite, para evitarmos isso usamos uma espátula ou um salazar em melamina e vamos mexendo os ovos, como se estivéssemos a levantar um crepe, isso dá aos ovos um aspecto meio “ondulado” na frigideira e acabam por cozinhar todos por igual – quando o líquido tiver desaparecido quase todo desligamos o lume, assegurando que estes ainda ficaram com alguma humidade.

Assim ficamos com uma salada de salmão e uns ovos mexidos deliciosos, servimos imediatamente e acompanhamos com uma cerveja preta que fica um verdadeiro luxo com esta comida de “sobrevivência”.
Não se assustem, eu sei que escrevo muito mas isto não demora mais de 10 minutos a fazer 🙂
Acompanhem ao som de Florence and The Machine …

* Pessoalmente gosto mais de utilizar salmão ou truta curada em casa, fica mais saboroso e sai muito mais barato…nos próximos dias mostro-vos como se faz.