A Propósito de Vinho

Neste blog procura-se incentivar o gosto pelos prazeres simples da vida, o bem comer, o bom beber e a boa música. Mais uma vez a pedido de alguns leitores assíduos, insiro uma nova funcionalidade no blog : a página A Propósito de Vinho…, que não é mais que uma pequena resenha de sugestões para vinhos que poderão combinar com alguns dos pratos que sugiro nos meus posts. Não existe aqui qualquer pretensão de mistificar o tema, muito pelo contrário é um exercício de opinião, descontraído e com alguns esclarecimentos básicos, nomeadamente: a informação sobre as castas utilizadas; breves notas de prova; preço médio e onde encontrar os ditos vinhos. Espero que se divirtam tanto a ler isto como eu me divirto a escrever para vocês🙂

Adega de PegõesCabernet Sauvignon
Trata-se de um vinho com a denominação -Vinho Regional Terras do Sado, o qual se caracteriza por ser um monovarietal ( e vocês perguntam o quer dizer isso… parece-me mais uma mariquice de enólogo…), um monovarietal é um vinho feito a partir de uma só casta ( isto quer dizer um só tipo de uva), neste caso tinta.

Cabernet Sauvignon é uma casta importada de França e é provavelmente a mais difundida e conhecida em todo o mundo. Tem a particularidade de resultar em vinhos com tons carregados vegetais e a pimentos verdes – no caso específico deste Adega de Pegões – temos um vinho muito agradável ao nariz, com aromas de frutos vermelhos, especiarias e arriscaria algum chocolate. Na boca é um vinho macio, com taninos elegantes ( os taninos são o que vulgarmente definimos como gosto a madeira, e que conferem alguma adstringência aos vinhos , são fáceis de identificar na boca porque dão uma ligeira sensação de língua “encortiçada”) e poder-se-ia dizer que é um vinho nos enche a boca, isto é um vinho que nos preenche o palato, com um final muito prolongado.
É um vinho que combina muito bem pratos de carne, de caça e queijos. Pode-se encontrar em garrafeiras e grandes superfícies, o preço médio ronda os 6 euros se não estou em erro.


Companhia das Lezírias – Fernão Pires

Este branco de denominação – Tejo, é um monovarietal da casta Fernão Pires, uma das mais emblemáticas castas brancas portuguesas, e muito difundida no centro e sul do país. Na região da Bairrada é conhecida por  Maria Gomes, e tem como característica resultar em vinhos com aromas florais e de acidez média.
Este vinho tem alguma complexidade no nariz, resultando em notas florais (próprias da casta), alguma fruta com especial incidência em algumas notas de pêssego e os citrinos, que na maioria dos casos são um denominador comum dos vinhos brancos. É um vinho elegante com bastante frescura, que combina com pratos de peixe, saladas e alguns pratos italianos. Encontra-se em garrafeiras e algumas grandes superfícies, com um preço que ronda os 3.90 euros.


Adega de Pegões – Touriga Nacional

Mais um tinto de denominação – Terras do Sado, e também monovarietal – vocês devem estar a pensar que eu tenho alguma predilecção por vinhos deste tipo, até agora sugeri três vinhos monovarietais serem no meu entender os mais adequados às minhas sugestões culinárias – de todo o modo este é um vinho feito a partir da rainha das castas portuguesas – a Touriga Nacional. É uma casta amplamente espalhada pelo território nacional, e principal interveniente nos blends (misturas de castas) utilizados para fazer o vinho do Porto. É contudo na região do Dão onde esta casta atinge o seu expoente máximo, é conhecida por ser uma casta guerreira, que sobrevive às condições mais extremas. E no entanto apesar de dar origem a bagos muito pequenos, tem a capacidade de gerar vinhos com aromas muito concentrados, taninos elegantes e que lhe dão uma grande longevidade em garrafa. Este Pegões é um vinho com muita personalidade, que faz  6 meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano, seguido de 4 meses de estágio em garrafa ( isto é óptimo porque o vinho tem tempo para estabilizar e “amadurecer” antes de chegar às prateleiras, hoje em dia os vinhos são feitos prontos a consumir, coisa que não era prática corrente há 20 ou 30 anos, os vinhos precisavam de tempo para crescer em garrafa e ficarem aptos ao consumo…um apontamento muito positivo da parte do énologo). Este vinho no nariz tem muita fruta, com especial incidência nos apontamentos de amoras e arriscaria mirtilos, além dos taninos muito bem equilibrados que dão à boca um vinho gordo ( que nos preenche o palato) com um fim de boca muito prolongado ( mais uma mariquice de prova de vinhos dirão vocês… fim de boca é o sabor do vinho que perdura no nosso paladar).Combinem com pratos de carne…carnes vermelhas… caça e queijos.  Encontra-se em garrafeiras e grandes superfícies com um preço entre os 5 e os 6 euros.


Altas Quintas Colheita 2006
Tive a oportunidade de provar este vinho num jantar de amigos, a opinião devo de dizer que foi unânime… um vinho belíssimo! Este vinho regional alentejano, resulta do blend de três castas tipicamente alentejanas – a Trincadeira, o Aragoneze o Alicante Bouschet. Destas três castas, só uma é autóctone: a Trincadeira, que está profundamente enraizada nos vinhos alentejanos, mas que também é cultivada noutras regiões, como o Douro, onde é conhecida por Tinta Amarela. OAragonez já resulta, crê-se de uma importação da uva Tempranillo, que é como é conhecido no seu país de origem – Espanha. O Alicante Bouschet, também é fruto de uma importação, desta feita de França, onde através do cruzamento das castasPetit Bouschet e Grenache se obtém esta uva tão conhecida do nosso paladar. Inicialmente considerada uma uva de qualidade inferior no seu país de origem, oAlicante Bouschet adaptou-se ao clima alentejano de uma forma surpreendente, resultando em vinhos de grande qualidade.
Voltando a este Altas Quintas, temos um blend muito alentejano, mas diferente do habitual neste vinhos … pois em vez de termos um vinho quente onde a fruta vermelha persiste, temos um vinho fresco e com muita estrutura, resultante da situação em altitude das vinhas, que beneficiam do clima da Serra de S. Mamede.
Na aparência este vinho é vermelho-granada, com um nariz muito elegante, no qual notamos a presença de compota de ameixa, frutos negros e tosta (lá está ele com as mariquices… tosta é o aroma marcado dos taninos). Na boca temos um vinho com bastante corpo, algumas notas de chocolate e um final persistente com muita elegância.
Nota para este vinho que além de fazer estágio em barricas de carvalho francês, passa ainda por estágio mínimo de 6 meses em garrafa. Um vinho tranquilo com o cunho do enólogo Paulo Laureano, muito bem conseguido.
Combinem com pratos de carne, cogumelos bravos e queijos. Encontra-se em garrafeiras e algumas grandes superfícies, num preço que ronda os 20 euros.
“Boa é a vida, mas o melhor é vinho!”
Fernando Pessoa


Guarda-Rios 2006

Já tive oportunidade de provar este vinho por duas ocasiões e devo dizer que não me desilude nada! É um tinto ainda com a antiga denominação – Regional Ribatejano, actualmente Regional Tejo, oriundo da casa Vale d´Algares em Vila Chã de Ourique. Esta casa relativamente recente começa a dar cartas nos vinhos Tejo, com um departamento de enologia  jovem que tem desenvolvido um trabalho fantástico na produção destes vinhos Falando mais deste Guarda-Rios, é um vinho feito a partir de um blend de: SyrahTouriga NacionalAragonez e Merlot.Tanto o Syrah como o Merlot, são duas castas importadas  de França, uma do norte, na região do Ródano e a outra mais a sul na região de Bordéus, onde é muito popular nos vinhos de Saint Émillion.
Temos aqui um vinho muito interessante que passa por um estágio de 9 meses em barricas de carvalho francês, e posteriormente um de 6 meses em garrafa, tendo sido engarrafado em Maio de 2007.
No nariz este vinho evidencia aromas marcados de chocolate, frutos vermelhos maduros, uma complexidade que é complementada por um toque de especiarias.
Na boca é um vinho muito agradável, evidenciando desde logo os seus taninos elegantes, voltando ao chocolate, desta feita preto, e café, com um final longo e persistente.
É um vinho a acompanhar carnes gordas e alguns pratos de caça, deve ser servido entre os 16º e os 18º (dica importante! se querem consumir o vinho à temperatura ideal sirvam-no um pouco mais fresco, por exemplo, se querem consumi-lo a 18º sirvam-no a 16º, assim que estiver no copo rapidamente atingirá os 18º!). Encontra-se em garrafeiras e algumas grandes superfícies (Corte Inglés …acho eu…) com um preço que ronda os 10 euros.

“Existe mais filosofia numa garrafa de vinho que em todos os livros” – Pasteur

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