Retiro espiritual …

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No Concelho de Arcos de Valdevez, perdido no meio dos montes, com o Vale do Lima no horizonte, fica o lugar de Vilar de Lobos. Do seu nome original já só resta Vilar, fruto do ódio ancestral pelo raro canídeo que ainda vagueia por aquelas serranias. Uma pena porque acho que o nome original é bem giro, e curiosamente continua a figurar nos mapas com esse nome, e apesar de já não haver pastorícia naquele lugar as pessoas acharam por bem eliminar o nome do famigerado carnívoro da terra. Aparte das curiosidades geográficas, fiz um retiro espiritual naquelas paragens a semana que passou. Acompanhado do meu irmão e alguns amigos, estivemos por lá a disfrutar da beleza natural que ainda é possível encontrar em Portugal. Se entretanto não queimarem o pouco que ainda resta… acho o máximo a forma como as autoridades e a população em geral encaram este flagelo que são os fogos florestais. Como é que é possível declarar-se uma época de incêndios?!?? Em vez de se combater isto com toda a violência com que esses malfeitores que incendeiam qualquer bocado de verde, diz-se que estamos em alerta amarelo, laranja e vermelho… isto é lindo quase parece o alerta anti-terrorismo. De facto estamos a lidar com uma forma de terrorismo doméstico, e as pessoas tratam isto com a maior displicência… o português habitua-se a tudo, ter um governo corrupto é normal…ter má qualidade de vida é normal, da mesma forma que é normal arderem hectares de floresta todos os anos. Povinho triste… dá-me muita vergonha olhar para este país tão maltratado pelo seu próprio povo.
Apesar destas amarguras e do “perfume” do fumo no ar… passámos uns belíssimos dias em Vilar de Lobos, uma terra que transpira beleza,onde ainda é possível observar casais de águias-reais a fazer acrobacias em voo, ver um corço incauto numa cama de fetos, e ouvir gaios a grasnar como crianças reguilas em cima das árvores.
No meio disto há espaço para cozinhar com outro espírito, e com acesso a produtos mais frescos e plenos de aromas únicos… digo-vos que há não nada como cozinhar com ervas acabadas de colher no jardim! Com 6 pessoas em casa, às vezes torna-se complicado pensar em jantar para tanta gente, mas lá se arranjou uma solução: Lombo do Cachaço de Porco no Forno com Risotto de Limão e Carqueja. Precisamos então de :

1 lombo do cachaço de porco com cerca 1.5 kg a 2 kg;

– 2 cebolas;

– 2 cenouras;

– Vinho verde tinto q.b;

– Água q.b;

– Sal;

– Malagueta moída;

– 3 dentes de alho;

– Salva;

– Tomilho;

– Louro;

– Colorau;

Para o Risotto:
– 300g de Arroz arborio ou carnaroli ( a última variedade encontra-se no Pingo Doce);

– 1 cebola média;

– Azeite;

– Vinho branco;

– Água q.b;

– Casca de limão;

– Carqueja (erva utilizada para aromatizar arroz no Minho, ver Prateleira de Especiarias);

– Queijo Parmeggiano ou Grana Padano para ralar;

Começamos por preparar o lombo, limpando o excesso de gordura da sua superfície com uma faca bem afiada. De seguida colocamos num tabuleiro fundo, e juntamos o vinho e a água ( a água impede que o vinho “coza” a carne e ajuda a aveludá-la). Temperamos com sal grosso; alho picado; salva picada; tomilho; louro; colorau, e esfregamos bem a peça com os temperos. Depois juntamos as cenouras e as cebolas cortadas grosseiramente e deixamos a marinar umas horas.
Terminado o tempo da marinada, colocamos o lombo num tacho largo com todo o contéudo da marinada, e em lume brando deixamos cozinhar lentamente durante 4 horas aproximadamente, adicionando água sempre que necessário ( é importante que não seque e que a carne não se agarre ao tacho!). Ao fim do tempo da cozedura verifiquem se a carne está cozinhada, com a ajuda de uma faca abram um golpe para ver se ainda tem sangue. De seguida coloquem o lombo de novo no tabuleiro com o seu molho e levem ao forno durante 15 a 20 minutos a uma temperatura de 180º.

E enquanto o lombo está no forno começamos a fazer o risotto, picamos uma cebola média finamente e colocamos numa caçarola com um pouco de azeite, deixamos refogar sem alourar a cebola e juntamos o arroz, damos-lhe umas voltas na caçarola até começar a “cantar” (faz um barulho parecido com pipocas :P) e juntamos o vinho branco ( mais ou menos um copo), mexam com cuidado para evitar partir o arroz. Mantenham ao lado um tacho pequeno com água a ferver ou caldo vegetal para ir juntando ao arroz. Assim que o arroz começar a libertar a goma e o líquido começar a reduzir, adicionem 1 concha de água quente ou caldo. Adicionem um ramo de carqueja, rectifiquem de sal e deixem ferver sem agarrar ao fundo. Sigam o processo de adicionar água cada vez que o líquido reduza e ao fim de 18 minutos provem um grão de arroz ( no caso do risotto deve estar al dente). Retirem do lume, e tirem o ramo da carqueja, adicionem a casca de limão picada finamente e o queijo ralado ( aproximadamente 2 a 3 mãos), envolvam bem para que o queijo derreta e o risotto fique cremoso. Sirvam com o lombo fatiado e acompanhem com uma sangria gelada ( pode parecer herege não acompanhar com um tinto bem encorpado, mas com este calor quem tem coragem?).
Peço desculpa pelas fotos mas é o melhor que se consegue em ambiente de férias e não há fotos do risotto porque a máquina ficou sem bateria, espero que me perdoem a falha 🙂
Fiquem bem e bons cozinhados!

 

Jantar de Domingo

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Num dos raros dias que tenho para mim, decidi ficar em casa… e adivinhem a fazer o quê? Experiências na cozinha 😛 … Mais uma noite mortal no restaurante… com a sala cheia e os nervos à flor da pele… todas as noites são noite de inauguração:P De qualquer modo, hoje queria mesmo era dormir até às tantas e não pensar em por um pé fora de casa! Depois do descanso merecido lá me levantei com ar meio alucinado… para ir desfrutar do maravilhoso repasto que é um almoço preparado pela senhora minha mãe. Segue-se uma tarde do mais puro pastanço… que termina no debate habitual dos Domingos: “O que vamos fazer para o jantar?”. Enquanto estava na cozinha a fazer um ensaio de um prato novo ( publico esse amanhã…) a minha mãe procurava uma ideia nas toneladas de receitas que pululam na cozinha, para fazer um prato com perna de borrego. Decidimos adaptar uma receita de perna de borrego recheada… para a qual vamos precisar de :

– 1 perna de borrego desossada ( peçam no talho para desossar ou se forem habilidosos com uma faca … faça você mesmo 😛 );

– 3 dentes de alho;

– 1 talo de aipo;

– 1 cenoura;

– 100 g de foie gras (é o  fígado de ganso preparado com armagnac até ficar curtido , é um pouco caro por isso podem utilizar pasta de fígado de pato… que surte um efeito parecido);

– 10 g de trufa preta ( encontra-se na secção gourmet do Continente e no Corte Inglés…sob as formas: desidratada, conserva e congelada… fresca é mais complicado de encontrar… sem falar que é substancialmente mais caro!);

– Sal e pimenta a gosto;

– Vinho branco;

– Sementes de sésamo;

– Salva;

– Azeite;

Vamos começar por picar o aipo,  ralar a cenoura e cortar muito finamente a trufa… temperem com sal e pimenta e salteiem em azeite bem quente por breves minutos, reservem.
De seguida recheiem o interior com o foie gras e com a trufa e os vegetais salteados, usem uma “meia” fio para rôti ou então se forem jeitosos com nós atem a carne mais ou menos como está na foto ( não é grande perfeição eu sei… mas nunca andei nos Escuteiros 😛 ).
De seguida ponham um copo de vinho branco sobre a carne, um pouco de azeite, sal, pimenta, a salva e os alhos picados. Levem ao forno durante 60 minutos a uma temperatura de 180º, virando a carne e regando com o molho frequentemente ( usem estas instruções com base num forno eléctrico ventilado).
Sirvam com castanhas fritas e nabo salteado ao vinagre balsâmico e acompanhem com um tinto… um  Encostas de Estremoz – Reserva 2007.
Deixo-vos com este lindíssimo Sete Colinas, interpretado pela Estudantina Universitária de Lisboa… um hino a todos os que foram estudantes e ainda sentem no peito a capa e a batina.

Divirtam-se e bons cozinhados!


 

Almoço em família…

Hoje tive um momento raro, juntar à mesa a família e desfrutar de um bom repasto, com muito boa onda…

é engraçado como estas coisas funcionam… quando somos mais novos e vivemos com os nossos pais, só queremos é ter o nosso canto e estar sozinhos e depois as coisas são bem diferentes… eu falo pelo menos meu caso.  Vivi com eles, depois vivi sozinho e por circunstâncias da vida acabei por voltar a viver com eles… muitos amigos me perguntam : “Não te custa?”… sou sincero, não. Tirando o facto de não me sentir a vontade para levar alguém para casa 😛 … Estou muito bem com eles… e o facto é que desde que voltei a trabalhar os valorizo e admiro cada vez mais. Por isso é que agora nos raros momentos que temos todos juntos, faço porque isso seja sempre algo a recordar. Para realçar mais a minha ideia vou falar-vos da sugestão de hoje, que não fui eu que confeccionei… mas sim a senhora minha mãe, que eu admiro muito e me pegou o “bichinho” da cozinha…é uma mulher admirável, extremamente criativa… uma cozinheira fantástica e uma doceira fenomenal!
Hoje então vamos ficar com umas Bochechas de Porco em Molho de Pimentão Doce e Alecrim com Castanhas Fritas…( nome comprido…ufa!) façam o favor de procurar os seguintes ingredientes:
–  500 g de bochecha de porco ( o Continente às vezes tem… mas o melhor mesmo é encomendar no talho ou procurar no Corte Inglés…);
–  Massa de pimentão doce ( aqui tenho algumas reservas a por… geralmente não compro a massa porque a minha mãe tem a carolice de a fazer em casa … e digo-vos que não tem nada a ver com a de compra… mas enfim tentem procurar a melhor);
– Vinho branco;
– Alho;
– Alecrim;
– Banha de porco;
– Sal;
– Pimenta;
– Castanhas (obviamente que não estamos na época delas… portanto é comprar congelado… que não é mau de todo porque não temos o incómodo de as descascar 😛 );

Vamos começar por temperar as bochechas com um pouco de sal ( não muito porque a massa de pimentão já por si é bastante salgada!); pimenta e barrem-nas com um pouco de massa de pimentão, de seguida num recipiente mais ou menos fundo, adicionem sensivelmente um copo de vinho branco ( não usem vinho manhoso… acreditem ou não … boa comida faz-se com bom vinho… mas também não preciso usarem uma garrafa cara, you know what I mean! ), juntem um raminho de alecrim desfeito, 3 dentes de alho picados e deixem  marinar cerca de 1 hora ( Muito importante! Reservem a marinada!).  A seguir o que têm a fazer é corá-las na frigideira com uma colher de sopa de banha ( eu sei que parece nojento usar banha mas fica de facto muito mais suculento… acreditem), depois de coradas  coloquem-nas num tabuleiro fundo com a gordura e a restante marinada, levem ao forno a uma temperatura de 180º, até ficarem cozinhadas.
Fritem as castanhas em óleo bem quente e retirem o excesso de gordura com papel de cozinha… sirvam a acompanhar as bochechas… é um prato super simples mas óptimo! Espero que faça as vossas delícias, da mesma forma que fez as minhas! Acompanhem com um tinto… desta feita da região do Douro, um Quinta do Grifo Grande Reserva 2006,um vinho austero e  vigoroso, o ideal para contrapor a gordura deste prato. Podem encontrar em garrafeiras a um preço que ronda os 17 euros.
Divirtam-se e bons cozinhados!