Um ‘banho’ de cultura gastronómica…

Comer. Aí está algo que sempre gostei, a comprovar pela minha forma física, melhor dizendo, pelo pneuzinho que teima em não me abandonar. Contudo, de há uns tempos para cá, ocorreu uma evolução, não do ‘pneu’, mas da minha relação com a comida e da forma como a vejo e aprecio.

O último ano foi repleto de novas aprendizagens e sabores.

Desde sempre que estive mais habituada às comidas tipicamente portuguesas, aos sabores simples, mas ricos. Àqueles pratos a que usualmente chamamos ‘comidinha da avó’.

Mas este meu lado curioso e aventureiro sempre me suscitou interesse em experimentar coisas novas, novos sabores, sem medo de apanhar o ‘comboio dos paladares’.

Com todas estas experiências, que passarei a narrar aqui, com toda a frequência que me é possível, também aprendi a entender melhor o ‘gourmet’…a não encará-lo como a comida que vem em amostras para a mesa…que não enche a toca de um dente… A verdade é que muita gente acredita que jantar/almoçar num restaurante ‘gourmet’ significava comer 10 gramas de alguma coisa, encavalitadas num puré qualquer, de cor duvidosa, disposto num prato gigante, decorado com uns desenhos feitos com um molho desconhecido, ao qual se dá um nome xpto três assobios, e nada mais…isto pode soar, por assim dizer, a um roubo, pois pagar uma fortuna para presenciar este cenário é algo a que ninguém se mostra disponível.

Mas toda esta vivência a que fui submetida comprovou-me que não é bem assim…que este tipo de comida pode, inclusive, ‘matar-nos’ a fome, pois é o mesmo que comer um prato cheio de arroz, batatas, bife e ovo a cavalo…a diferença é que o outro vem em pequenas doses e dividida em vários pratos…ao quais se dá o nome Menu de Degustação.

Além deste ‘banho de cultura gastronómica’, este último ano ensinou-me, sem dúvida, a ver a comida de forma diferente, a apreciar os novos sabores, a enriquecer os pratos de sempre com algo novo…e a ter cada vez mais a certeza de que o novo é sempre bem-vindo.

Por toda esta experiência e aprendizagem agradeço ao Miguel de Brito, com quem passarei a administrar o blog, partilhando convosco as nossas aventuras e devaneios gastronómicos:)

…by the way, eu sou a Rita Ferreira:)

A minha opinião sobre Francesinhas

Pediram-me para escrever sobre francesinhas, é um assunto delicado digo… os meus amigos portuenses vão-me cair em cima, mas não resisto a fazer a minha interpretação deste ícone da gastronomia do Norte. A francesinha é um prato trazido até nós por um emigrante português em França, durante a década de 60. É de facto uma interpretação de uma receita francesa denominada “croque – monsieur”, que não é mais que um género de uma tosta mista feita com brioche. Satisfeita a curiosidade a respeito das origens deste prato vou começar por explanar a minha interpretação… vamos procurar os seguintes ingredientes:

– 1 Bife da vazia ( escolham uma carne tenra e pouco fibrosa, não ponham 1 bife demasiado espesso… no máximo 2.5 cm);

– Fiambre ( aqui é que eu ponho reservas… na grande maioria dos casos a qualidade dos fiambres deprime-me, têm mau sabor e uma textura detestável… por isso e para quem consiga encontrar, recomendo o fiambre tipo Praga, que é uma perna inteira cozida ao vapor em ervas e especiarias – encontra-se no Corte Inglés… mas como só há Corte Inglés em Lisboa e no Porto…. podem encontrar um outro tipo de fiambre também de excelente qualidade no Pingo Doce, na charcutaria peçam fiambre italiano sem fosfatos… lamento mas não me consigo lembrar da marca… acho que é Ferrini mas não tenho a certeza…de qualquer modo é excelente!);

– Queijo Parmesão ( comprem uma cunha … é muito melhor porque se rala no momento e perde menos propriedades!);

– Queijo Mozarella fatiado;

– Chouriço ( procurem os enchidos de Montoito… são óptimos! Há no Feira Nova e no Pingo Doce.);

– Espargos verdes (comprem frescos! );

– Pão alentejano;


Para o molho (segundo os connaisseurs de francesinhas o segredo está no molho) :


–  Polpa de tomate ( eu faço com tomate fresco e muito maduro… mas se não estiverem para se chatear entendo perfeitamente);

– Cebola;

– Caldo de carne ( aqui vou recomendar-vos o recurso a um poderoso potenciador de molhos , chamado demi glacé, que não é mais que um caldo de carne muito concentrado… não vou maçar-vos com a receita para o fazer… podem comprá-lo em grandes superfícies… e depois para a próxima deixo-vos a receita 😛 );

– Aipo;

– Cenoura;

– Alho;

– Azeite;

– Cerveja;

– 1 shot de brandy ou aguardente velha;

– sal e piri piri a gosto;

Vamos começar pelo molho,  piquem 1 cebola grande; 3 dentes de alho; 2 talos de aipo e 1 cenoura grande, coloquem num tacho com azeite e refoguem. De seguida adicionem  a polpa de tomate e deixem uns minutos até desfazer o tomate e ficar mais líquido. Juntem duas cervejas; o brandy; 2 colheres de sopa de demi-glacé, o sal e o piri piri… deixem reduzir em lume brando. Provem o molho e rectifiquem os temperos, se acharem necessário. Tirem do lume e triturem de modo a obter um molho homogéneo e a puxar para o cremoso.

De seguida vamos grelhar o bife, marquem-no ligeiramente na chapa… o suficiente para ainda deixar bastantes sucos ( lembrem-se que depois a francesinha ainda vai ao forno!);cortamos o chouriço em rodelas finas; salteamos os espargos com um pouco de azeite e alho e torramos o pão alentejano.
Colocamos num prato fundo de grês ou num pirex, uma das fatias do pão, onde colocamos duas fatias de mozzarella; de seguida pomos fiambre; espargos;bife; mais espargos e chouriço; cobrimos com um pouco de parmesão ralado e com outra fatia de pão. Juntem mais duas fatias de mozarella por cima e levem ao forno para derreter ( eu gosto de deixar o queijo ficar meio crestado…). Tirem do forno e juntem molho por cima.
Sirvam acompanhada de uma cerveja ruiva … a irlandesa Kilkenny é a indicada! Deixo-vos com este Free Falling … uma versão do clássico de Tom Pety, interpretada pelo brilhante John Mayer… muito boa onda para acabar o fim de semana em grande!

Divirtam-se e bons cozinhados!